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Fotógrafo brasileiro cria fotos 3D para deficientes visuais
29 de março de 2018
Se antes só era possível sentir emoção ao ver uma foto, agora é possível tocá-la. Utilizando a tecnologia Tactography, o fotógrafo brasileiro radicado na Suíça, Gabriel Bonfim, criou fotografias em alto-relevo. A tecnologia mapeia as proporções e profundidade na criação, por meio de uma impressão em 3D. Com o trabalho, a fotografia pode ser levada a deficientes visuais.
As fotografias estão expostas no Solar do Barão até o dia 10 de junho e a entrada é gratuita.
De acordo com Bonfim, as peças são feitas para os dois públicos – os que enxergam e os que não enxergam. As fotografias são feitas e alto-relevo para deficientes visuais e pintadas de branco para que as pessoas que enxergam vejam o contraste entre os pontos. “O relevo aumenta a percepção de quem não enxerga e permite que os deficientes visuais possam fazer a sua própria interpretação do que a obra representa. A maioria das obras tem áudio-descrição, mas isso é alguém contando para elas uma percepção apenas e isso não é arte”, comentou o artista.
A exposição é composta por 14 imagens tridimensionais, divididas em duas séries de sete obras. A primeira destaca o trabalho do tenor italiano Andrea Bocelli durante uma turnê na Turquia mostrando os principais momentos do cantor, inclusive em família. Na primeira, a confecção das obras foi realizado em fotografias que Bonfim já tinha realizado e percebeu que, por ter deficiência visual, o tenor nunca poderia ver o seu trabalho. Foi dai surgiu a ideia de imprimir as fotografias em 3D. A imagem tradicional então foi enviada a um software que apontava marcações de proporções e profundidades. Todas as marcações foram feitas a mão.
No segundo processo, Gabriel Bonfim fez uma parceria com o estúdio alemão Digitalwerkstatt em que a captação da fotografia já gerou a obra em 3D. Neste momento, convidou o bailarino catarinense Denis Vieira – que integra o Ballet da Ópera de Zurique – para fotografar seus movimentos com uma câmera digital. Logo depois, um scanner 3D lia as informações visuais, criando as obras em alto-relevo.
O artista ainda afirma que, em cada exposição, os deficientes visuais dão um feedback diferente sobre a percepção das obras. Em Curitiba, a maioria afirmou que pessoas cegas têm ido a museus para mostrar que a maioria das exposições não são acessíveis. “Uma garota me falou que este tipo de obra faz com que eles se sintam incluídos nos espaços de arte. Isso é maravilhoso”, concluiu.